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Seis tendências para o retalho em Portugal
2021-02-17

Há pouco mais de um ano, as vendas a retalho tinham aumentado em Portugal, em termos homólogos e em cadeia, 4,4% e 4,2%, respetivamente. Na zona euro, esses valores tinham sido de 1,7% e 0,6%.

Após o primeiro confinamento, em julho de 2020, as perspetivas eram outras: em comparação com 2019, estimava-se, então, uma quebra de 5,7% nas vendas totais do retalho a nível mundial, que deveriam atingir os 20 mil milhões de euros.

Ainda não temos os números definitivos relativos a 2020, mas é provável que, após a segunda vaga da pandemia e o recurso a novos confinamentos, as vendas a nível global tenham ficado abaixo do estimado em julho. A pandemia tornou quase impossível fazer previsões e a prova disso são as atualizações feitas às estimativas de crescimento da economia, por exemplo. Se, em dezembro, o Boletim do Banco de Portugal projetava uma queda do PIB de 8,1%, em 2020, seguida de um crescimento de 3,9%, em 2021, recentemente, e devido ao novo confinamento, economistas da Universidade Católica estimavam uma contração do PIB de 2%, este ano, e falavam na necessidade de um Orçamento Suplementar.

Apesar deste quadro de imprevisibilidade, as experiências inéditas vividas em 2020, e que demonstraram a capacidade de resiliência, adaptação e flexibilidade de toda a cadeia de valor associada ao retalho, permitem prever com relativa segurança seis tendências fundamentais na área do retalho para 2021, em Portugal. Assim:

1 – Digital

Tendência incontornável para 2021 e que corresponde, entre outras variáveis, a uma crescente procura dos canais online por parte dos consumidores. Nada voltará a ser como antes da pandemia e assistiu-se a uma rápida consolidação de uma tendência que, em Portugal, estava a evoluir de uma forma mais lenta do que a nível global. Os dados disponíveis revelam que, no segundo trimestre de 2020, as vendas online do retalho alimentar aumentaram 1,1 pontos percentuais, em relação a igual período em 2019. A subida da venda online é mais evidente no retalho não alimentar, com mais 13,3 pontos percentuais face a igual período de 2019.

Uma nota importante nesta tendência: as plataformas nacionais tiveram um comportamento muito interessante e aguardam-se os dados completos de 2020. É que se em 2019 85% das compras feitas por portugueses no online foi em plataformas internacionais, não tenho dúvida de que os números de 2020 indicarão que os “players” nacionais tiveram um crescimento considerável.

2 – Sustentabilidade

O plano de recuperação da União Europeia assenta em dois pilares fundamentais: a transição digital e a transição verde. Por isso, esta será uma tendência fundamental, este ano. O sector do retalho sempre esteve comprometido com a sustentabilidade das suas operações e assim quer continuar.

Eficiência energética, otimização das cadeias logísticas, gestão sustentável da água e combate ao desperdício alimentar são algumas das áreas que, nos últimos anos, têm vindo a ser trabalhadas pelo sector. A reciclagem, principalmente de embalagens de plástico, e o desperdício alimentar também têm estado na agenda, com o sector a envolver-se em ações concretas para combater estes problemas. Na distribuição, apostamos na melhoria contínua do desempenho ambiental e no incentivo à transição para uma economia mais circular e de baixo carbono. Em 2021, a sustentabilidade vai continuar a ser estratégica para a sociedade e também para o sector.

3 – Proximidade

Uma das tendências que exigirá mais atenção do sector do retalho. Quando falamos de proximidade, estamos a pensar não só nos consumidores, mas também nas pessoas que trabalham no sector – o ativo fundamental do sucesso das empresas – e no contributo para a recuperação do país. Se os consumidores “exigem” uma permanente atenção das suas necessidades, opções e sugestões, os trabalhadores que estão no sector precisam de oportunidades para melhor acompanharem e se identificarem com as tendências do sector, desde a transição digital e verde até às tecnologias que vão mudar conceitos de distribuição. A proximidade a todos os “atores” da cadeia de valor do sector será aprofundada e melhorada. Isto, pensamos, é válido para todo o sector, seja no retalho alimentar, seja no retalho especializado.

4 – Higiene e segurança

Continuará a ser uma área fundamental para assegurar todas as condições a clientes, trabalhadores e fornecedores. Não existe evidência científica que demonstre que os espaços comerciais têm risco acrescido em relação a outros locais e o investimento permanente que o sector tem feito em sistemas de desinfeção e na disponibilização de produtos de higiene mostram a importância que é atribuída a esta área. Só em Portugal, em 2020, o investimento das insígnias do retalho alimentar e não alimentar em higiene e segurança foi de mais de 25 milhões de euros, só em equipamentos de proteção individual e álcool gel (números provisórios).

Mas as questões de higiene e segurança não se limitam a produtos, passam também pela diminuição das situações de contacto físico. Uma delas tem a ver com a criação de condições para que se recorra, cada vez com maior frequência, a meios de pagamento “contactless”, quer sejam cartões bancários ou dispositivos móveis. O futuro é já hoje e o cliente assim o exige.

5 – Portugalidade

A pandemia mostrou que o sector do retalho alimentar é um dos mais estratégicos para a economia nacional. Foi o retalho alimentar, com o recurso à sua eficiente cadeia de logística e o apoio dos fornecedores, que manteve alguma “normalidade” no dia-a-dia do país, principalmente nos períodos de confinamento. Os produtos essenciais nunca faltaram aos portugueses, existiu resiliência e capacidade de alinhamento e sintonia entre todos os intervenientes da cadeia de abastecimento – produtores, indústria, logística, transportes, operação nos entrepostos e em loja – para continuar a alimentar Portugal.

A pandemia aprofundou a colaboração com a produção nacional e o retalho alimentar e percebeu-se que conseguimos trabalhar com produtores ainda mais pequenos do que os que estavam já habitualmente na nossa rede e é nesta relação que os próprios também evoluem, ao criarmos sistemas de formação, desenvolvimento e investigação mútuos. Esta componente da “portugalidade” do sector, pensamos, vai acentuar-se em 2021.

6 – Inovação

Esta é uma tendência recorrente nos últimos anos e sempre presente no ADN do retalho, mas que assume particular relevância em 2021. É que a pandemia acelerou o recurso às tecnologias e à digitalização, sendo muito provável que se “queimem” etapas em todo o processo. A tecnologia 5G vai revolucionar praticamente todos os sectores e o retalho não será exceção. A otimização na gestão de dados, a robótica e a inteligência artificial serão conceitos que se consolidarão em 2021, assim como a materialização de ideias associadas à indústria 4.0. Os drones também podem vir a ter um papel a desempenhar, mas veremos se é uma tendência que chegará, este ano, a Portugal.

No limite, será mais um ano desafiante para todos os associados da APED e para os quais a associação mais representativa do sector irá continuar a trabalhar e a apoiar em todos os momentos.

Cortesia Grande Consumo

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L.Branca/PAE

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