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Metade das empresas portuguesas tem continuidade do negócio em risco
2020-08-20

O tecido empresarial português está a enfrentar uma crise sem precedentes, com redução significativa da atividade. As empresas com redução da atividade ascenderam a 47%, sendo que 17,4% encerraram ou interromperam totalmente o seu funcionamento. Menos de metade das empresas conseguiram manter o seu nível de atividade, mas uma pequena franja (5,2%) conseguiu crescer à sombra da pandemia.

Estas são algumas conclusões do estudo “MDS Research: Situação Económica em Portugal”, que faz um retrato da situação vivida pelo tecido empresarial português decorrente da pandemia e revela a situação atual das empresas, as suas expectativas de futuro e a sua perceção relativa à gestão de risco.

O estudo da MDS, multinacional portuguesa de consultoria de riscos e seguros, confirma que a generalidade das empresas teve de implementar medidas para responder aos constrangimentos, seja por imposição legal, como o caso do teletrabalho e de medidas de proteção sanitária, seja porque a solidez financeira foi afetada. A redução do investimento, o corte de custos e o recurso ao layoff estão entre as principais medidas adotadas, sendo relativamente reduzida a percentagem das empresas que procuraram novas formas de fazer negócio e de melhorar a sua oferta.

Recuperação em U

As expectativas dos empresários e gestores é de que a recuperação da economia nacional será em “U”, demorando entre um e três anos a regressar aos níveis de atividade anteriores.

A crise pandémica provocou uma forte volatilidade no negócio das empresas, com impacto significativo na faturação. No total, 73,1% das empresas esperam uma redução do seu volume de negócios, no período de abril a junho, face aos três primeiros meses do ano. Por outro lado, 10,4% das empresas esperam registar um crescimento dos seus volumes de negócios.

A redução dos níveis de atividade deverá continuar durante a segunda metade do ano, com cerca de três em cada quatro empresas (73%) a estimarem uma diminuição das vendas, enquanto apenas 12,1% espera um aumento.

Tendo em conta a mediana da amostra de empresas que estimam uma redução do indicador, a redução do volume de negócios, no segundo semestre do ano, poderá situar-se no intervalo entre os 25% e 40%.

No entanto, as estimativas dos empresários e gestores é de uma gradual recuperação, pese embora longe dos níveis pré-pandemia. Mais de três em cada cinco empresas (61,7%) estima um nível de atividade inferior nos próximos 12 meses, enquanto 23,5% esperam um nível idêntico e 14,7% um nível superior.

Corte no investimento

As consequências da crise no futuro estão refletidas nas expectativas de investimento dos empresários e gestores. Mais de metade das empresas (56,5%) assumem uma expectativa de corte ou suspensão total do investimento, nos próximos 12 meses.

As empresas portuguesas esperam manter muitas das iniciativas tomadas para fazer face à pandemia, integrando-as no seu dia-a-dia, como as medidas sanitárias e o teletrabalho, que poderá contribuir para reduzir os custos. Aliás, as empresas esperam aprofundar a adaptação da sua estrutura à nova realidade, com 43,1% a sinalizar a adoção de medidas de corte de custos no futuro, face a 26,1% que o adotou até junho.

Ao nível dos recursos humanos, os atuais instrumentos como o layoff ou a redução de horário e turnos continuarão a fazer parte da vida de algumas empresas, sendo que apenas 3,5% admite vir a realizar despedimentos e 2,6% ter uma posição inversa, criando emprego.

Empresários e gestores preocupados com continuidade do negócio

A principal preocupação atual dos gestores e empresários é o nível de liquidez e situação de tesouraria das suas empresas, seguindo-se a falta de encomendas e o pagamento de salários. Em alguns sectores, como o industrial, a expedição da produção e o abastecimento são também alvo de grande preocupação, pois colocam em causa o funcionamento das unidades.

O estudo revela também que os empresários e gestores estão preocupados com a sustentabilidade dos seus negócios, identificando como principais riscos da sua atividade, passíveis de ser cobertos, a continuidade do negócio, a saúde dos colaboradores, o crédito a clientes e o risco cibernético. Aliás, 50,4% das empresas identifica como benéfica a cobertura de risco de continuidade do negócio, que é fundamental para assegurar a sustentabilidade das empresas.

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L.Branca/PAE

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