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Quando o tempo vale dinheiro
2008-09-08
As variações climáticas influenciam directamente o consumo. No sector Electro, as empresas de climatização são as principais afectadas pelo clima, tendo mesmo uma variação de 50 a 150 por cento nos seus resultados. Apesar do ar condicionado ser um negócio cada vez mais estável, ao longo de todo o ano, compreender e prever estas flutuações permite à reduzir o risco de vendas.

As variações climáticas influenciam directamente o consumo. No sector Electro, as empresas de climatização são as principais afectadas pelo clima, tendo mesmo uma variação de 50 a 150 por cento nos seus resultados. Apesar do ar condicionado ser um negócio cada vez mais estável, ao longo de todo o ano, compreender e prever estas flutuações permite à reduzir o risco de vendas.

Estima-se que quase 30 por cento do Produto Interno Bruto dos países industrializados está directamente ligado ao clima. Os números podem ir até aos 70 por cento, se se considerar o impacto indirecto. Uma coisa é certa, os caprichos do clima determinam uma grande parte da economia. De uma forma directa, impactando a produção, a gestão de stocks, vendas, as campanhas comerciais e de publicidade e as promoções. Por outro lado, afectando os fornecedores directos e indirectos.

Clima afecta até 150 por cento das vendas de ar condicionado

Uma das áreas mais afectadas pelo clima são os produtos de climatização. Apesar das vendas de ar condicionado terem alguma estabilidade ao longo do ano, os meses de Verão podem representar uma oscilação de cerca de 50 por cento e que pode mesmo ir até aos 150 por cento. Os motivos prendem-se com o conforto e bem-estar dos utilizadores, como sublinha José Morgado, Division Head AC Division da Samsung Electrónica Portuguesa. “Em condições climatéricas extremas, é essencial a climatização para se conseguir atingir os níveis de conforto desejados. Os verões quentes são um bom exemplo, durante os quais as temperaturas nocturnas são também elevadas, o que tem um impacto muito positivo nas vendas de ar condicionado”.

Nuno Lourenço, director de vendas de Ar Condicionado da LG Electronics Portugal, assume que o clima influencia claramente o negócio, principalmente em modelos específicos, que são mais procurados em épocas de muito calor ou muito frio. “Apesar das vendas de ar condicionado terem, neste momento, uma estabilidade ao longo do ano, durante os meses de Verão, sofrem um aumento de 50 por cento relativamente aos restantes. No entanto, devido às alterações climáticas, que infelizmente estão também a afectar o nosso país, os equipamentos de ar condicionado são cada vez mais um equipamento indispensável no dia a dia, seja em casa, no escritório, nos espaços comerciais ou no próprio carro, pois são a melhor e mais económica solução para a climatização”.

Filipa Teixeira da Silva, directora comercial da LSY Companies, empresa que em Portugal representa a General Electric (GE), concorda que o clima tem muita influência nas vendas de ar condicionado, principalmente porque a GE comercializa splits simples, “um produto cuja venda está muito dependente do calor, já que é, em grande parte, uma venda por impulso”. No caso da LG, os modelos de gama baixa e os mono-split são também os produtos directamente afectados por alterações drásticas do clima, “originando uma compra quase impulsiva destes equipamentos, pois são de instalação mais rápida e simples”.

A humidade é outro dos factores climatéricos com influência nas vendas e afecta particularmente os desumidificadores, que só se vendem quando estas condições ocorrem. “O consumidor português só se lembra deste produto quando não suporta mais as consequências do excesso de humidade em casa”, lembra Filipa Teixeira da Silva.

O ano de 2008 é, na opinião da directora comercial da LSY Companies, um bom exemplo de como o clima tem influência nas vendas, visto que o calor apenas começou no final de Junho, o que limitou a procura. “Para piorar, o cenário, o ano de 2007 acabou com excesso de stocks das marcas, já que se previa ser o ano mais quente de todos e não o foi, visto que o anticiclone dos Acores ‘empurrou’ o calor para a Grécia. Isto afectou o negócio do ar condicionado negativamente, e em duplicado, porque não só diminuiu drasticamente as vendas, resultado da fraca procura, mas também os preços, devido a pressão dos stocks”.

“Num ano em que o clima não seja propício para os produtos sazonais, até podemos desenvolver campanhas que minimizem o impacto da variação climatérica, mas a verdade é que somente saberemos no ano seguinte se as campanhas tiverem sucesso ou insucesso, depois de serem feitas as devoluções”, reforça Carlos Macedo, responsável comercial da Telefac Internacional. “A variação está no intervalo dos 30 a 40 por cento ou mesmo mais”.

Contudo, como nota José Morgado, apesar da influência do clima e da sazonalidade, as marcas tentam cada vez mais contrariá-la, através da associação com outros sectores de actividade, que permitem a venda de ar condicionado durante todo o ano. “É o caso da construção, uma vez que, hoje em dia, existe uma tendência notória para os edifícios de serviços e residenciais incluírem já instalação de ar condicionado desde o início do projecto”.

Ferramentas e seguros que minimizam os riscos climatéricos

O clima representa então um risco de tal forma assumido, que uma empresa parisiense, a Climpact, decidiu a analisar esta realidade e lançar uma solução com a possibilidade de gerir o risco climático. Uma solução que, segundo Harilaos Loukos, presidente e director científico da Climpact, se resume a três palavras, “compreender, prever e assegurar os riscos”. A ferramenta é capaz de absorver os dados climáticos históricos e de os integrar com os dados de vendas para, no fim, determinar uma meteo-sensibilidade para cada gama de produto e cada zona geográfica.

As empresas, por outro lado, também têm seguros que assumem riscos acima ou abaixo de determinadas temperaturas. Os pubs ingleses, por exemplo, constataram que é entre os 18 e os 24 graus que reside a frequência das esplanadas, entre Maio e Agosto, e caso a temperatura suba ou baixe accionam a cobertura do seguro.

Nos Estados Unidos, estes índices meteorológicos são fornecidos às empresas desde 1990, talvez pelos frequentes fenómenos naturais, como os furacões, que levaram a que houvesse um especial interesse pelo clima da parte dos actores económicos. Mas este conceito é relativamente novo na Europa e permite melhorar o impacto climatérico na actividade comercial, produtiva e recursos humanos e antecipar o movimento das vendas, optimizar campanhas publicitárias e outros factores importantes da vida de uma empresa.

Enfim, o seguro de risco climatérico encontra-se mesmo onde menos se espera como por na Etiópia, com o Programa Alimentar das Nações Unidas. Em Dezembro de 2005, uma seguradora assinou o primeiro contrato humanitário que segurava a Etiópia no valor de 5,8 milhões de euros de indemnização, no caso de seca extrema durante a campanha agrícola de 2006.

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L.Branca/PAE

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