Li algures na imprensa, como resultado de um estudo, que a responsabilidade dos sucessos ou fracassos de uma empresa são maioritariamente atribuídos ao departamento de marketing, mas confesso que não concordo totalmente com esta afirmação, pois acho que cada vez mais é a atitude dos seus colaboradores o que mais influencia os resultados de uma empresa.
Ao longo dos já bastantes anos nos quais sigo o mercado, este é, na minha opinião, o ano em que mais se nota a atitude como factor de diferenciação e de sucesso, porque tem sido a época em que mais tenho visto “disparates” e atitudes “estranhas”. Se, por um lado, se vêem excelentes exemplos no mercado, por outro, constato um perfeita disparidade de comportamentos que estão a afectar todo o trabalho de uma equipa.
Esta opinião, um pouco forte e talvez demasiado frontal, é a consequência de uma série de vivências que tenho tido (tanto ao nível das marcas como da distribuição), que seriam imperdoáveis há uns anos atrás, tais como a consecutiva falta de respeito pelo tempo alheio, os esquecimentos constantes de agendar, as mudanças consecutivas de agendas e, principalmente, a falta de cumprimento de prazos que atrasa todo o sistema.
Poderão achar que este é um desabafo de uma “bota de elástico”, mas creio que a experiência de quem já lidou com, pelo menos, duas gerações de profissionais deste mercado confere algum conhecimento de causa. Ainda não me habituei ao “laissez faire, laissez passer” a que se chegou nesta fase, em que cada vez mais as empresas deveriam ser pró-activas, rápidas e eficazes. Este Guia de Compras é um bom exemplo, pois tivemos todo o tipo de situações, desde os e-mails que se perdem, aos que ficam por responder, outros que foram esquecidos, as chamadas que não se devolvem, as informações que não se sabem, etc. Mas quando toca a pedir o “favor” de escrever sobre a marca, produto novo, loja ou insígnia, estes mesmos profissionais exigem prazos e situações ambíguas e ficam muito aborrecidos quando não se fazem “favores” e apenas retribuímos o profissionalismo com profissionalismo.
Enfim, confesso que está a ser muito complicado para quem acompanha o mercado há tanto tempo continuar a prestar um serviço de qualidade numa época em que a crise serve de desculpa para a alteração de valores morais que pautam os bons relacionamentos comerciais. Mas mesmo assim, com o dobro do trabalho e dos gastos de tempo e recursos e muita persistência, lá vamos conseguindo fazer o nosso trabalho e informar o mercado o melhor que sabemos... e conseguimos fazer.
É com este objectivo que gostaria de chamar a atenção para o artigo de destaque da revista sobre as redes sociais que, para alguns, poderá parecer um tema pouco importante mas que, na nossa opinião, é um fenómeno a que toda a distribuição deve estar atenta, sob risco de não acompanhar as mudanças que estão a chegar a passos largos.
Aproveito para desejar boas férias a todos os que vão descansar e bons negócios aos que ficam a trabalhar e, da minha parte, vou tentar aproveitar estes momentos mais calmos para ganhar um pouco mais de paciência e habituar-me a estes tempos, de forma a ficar com menos mau feitio e a não ser tão frontal neste espaço onde me é permitido exprimir as minhas opiniões sem “papas na língua”.
Cidália Ribeiro